AS CIDADES POSSUEM UM BEM MARAVILHOSO EM SUAS “VEIAS”!

As ruas de todas as cidades poderiam se transformar em uma infinidade de locais para atividades urbanas. Casos de sucesso como o nossa quase cinquentenária Rua XV de novembro em Curitiba e a “pedestrização” da Avenida Times Square em NY a 9 anos. Mas não é apenas destas grandes obras que estou falando, hoje todas as vagas para autos paralelas as ruas são geradores de lentidão e tráfego. Áreas que todos os cidadãos perdem para carros parados muitas horas por dia e que pagam quase nada por essa exclusividade. De acordo com alguns trechos retirados do artigo escrito por Philip Yang (mestre em administração pública pela Universidade Harvard e diretor do Instituto Urbem), ajuda a explicar onde pretendo chegar com essa inquietação.

“Encontrar uma vaga diante da calçada, numa área saturada da cidade, consome tempo de quem quer estacionar e de quem quer apenas passar pela rua. Estudos realizados nos Estados Unidos mostraram que, quando mais de 85% das vagas estão ocupadas, os motoristas passam a rodar em círculos em busca de um espaço vazio. A busca por vagas gera mais trânsito e poluição em vias já saturadas. Sem as faixas de estacionamento na rua, eliminaríamos a busca por vagas e as obstruções ao trânsito causadas pelas manobras de entrar e sair das vagas.”

“A extinção do estacionamento de rua levaria qualidade de vida às cidades, além de aliviar o trânsito. A faixa de asfalto desocupada poderia dar lugar a calçadas mais largas, com ciclovias e árvores, além de baratear o enterramento dos fios e cabos, hoje suspensos em postes. Os edifícios-garagem poderiam ser mais que um mero abrigo de carros. Poderiam reunir átrios para circulação e entretenimento público, redes de comércio e serviços, hotéis e albergues estudantis ou escritórios. As novas calçadas poderiam promover o paisagismo brasileiro, e os edifícios-garagem, em sua versão multifuncional, poderiam se tornar exemplos da arquitetura contemporânea, equilibrando forma e função no tecido urbano. Um sonho alcançável, em ciclo administrativo curto. Ele pode ser abraçado por qualquer grande cidade do Brasil, capaz de aglutinar a cidadania, o mercado e o governo em torno do projeto.”

Curitiba possui nos bairros mais urbanizados aproximadamente 1.850 km de ruas, imagine se 20% destas ruas tivessem faixa para estacionamentos de carros em pelo menos um dos lados com 3 metros de largura? Imagine se esses 1.110.000 m²de área tivessem seu uso alterado para alargamento de calçadas, criação de ciclovias, pocketpark, mini bibliotecas, academias ao ar livre ou pistas de caminhadas? Para se ter uma ideia o nosso maior parque, o Barigui, possui 1.400.000 m², ou seja, estamos ganhando quase uma vez o Barigui dentro de Curitiba, sem nenhuma desapropriação.

Aí todos irão me perguntar, onde vamos deixar tantos carros? Seriam algo em torno de 61.700 vagas de rua ou 600 estacionamentos?

Bom penso que teríamos que incentivar a criação destes 600 estacionamentos, afinal estou falando de 740 quadras, nestas teríamos que criar lugares pagos para os carros poderem parar.

“Uma crítica ao estacionamento pago, bem como ao pedágio urbano, é seu potencial de exclusão social, por limitar a circulação dos motoristas mais pobres. Pode-se também argumentar que o fim do estacionamento grátis permite a criação de espaços públicos melhores. Nada é mais democrático que favorecer o pedestre.”

É, bom sonhar com algo bem tangível e possível para muitas cidades.

Escrito por:

Keiro Yamawaki

Diretor GaragePlan

Coordenador de Arquitetura

Ref. Parking Network

https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/10/por-que-acabar-com-bvagas-de-ruab.html